Eu, Erivane, tenho SOP e isto dificultou
muito para que eu engravidasse. Em um dos exames que fiz, um dos ovários estava
até deformado e de tamanho diferente de tão policístico que estava.
A etapa
seguinte foi fazer o exame de sangue chamado "curva glicêmica", onde
descobri que devido a SOP eu tinha resistência a insulina. Passei a tomar
remédio para diabetes. Foi desta forma que a menorréia foi diminuindo e eu
comecei a menstruar todos os meses, e como conseqüência, ovular.
Para quem
deseja ser mãe e tem ovários policísticos, segue abaixo uma matéria
esclarecedora.
Mas lembrem-se:
não se automediquem. Procurem um médico (de preferência especializado em
reprodução humana). Este estará habilitado a te aconselhar melhor e te indicar
o caminho certo a tomar.
A SOP é um distúrbio que
se manifesta de diversas formas. A presença de amenorréia (ausência de
menstruação por mais de três ciclos ou seis meses), de hirsutismo
(aparecimentos de pêlos mais grossos em locais dependentes da ação de
andrógenos como o tórax, o queixo, entre o nariz e o lábio superior, o abdome
inferior e as coxas) e o aumento dos ovários ocorrem somente nos casos
avançados. As mulheres afetadas têm sintomas de aumento de andrógenos (hormônios
masculinizantes), irregularidades menstruais e amenorréia. A síndrome se inicia
na puberdade e é progressiva.
O desenvolvimento de técnicas mais apuradas de ultra-sonografia tem
possibilitado maior detalhamento do aumento dos ovários. Há vários estudos
sendo conduzidos sobre as alterações endócrino-metabólicas relacionadas com a
síndrome e, no momento, o tratamento visa a diminuição das complicações futuras
relacionadas com a anovulação(ausência de ovulação) e com a exposição às
alterações hormonais.
O mecanismo preciso ainda não é conhecido. No entanto, já é sabido que há
um aumento na produção de insulina devido a uma diminuição de sua ação nas
células do organismo. Esse aumento leva a uma maior produção de andrógenos
(hormônios masculinizantes) pelos ovários. Além disso, há uma disfunção no
equilíbrio de dois hormônios da hipófise responsáveis pelo controle dos
ovários: LH X FSH.(LH-hormônio luteinizante e FSH-hormônio folículo
estimulante)
A anovulação, obesidade, hirsutismo e presença de múltiplos cistos pequenos em
ambos ovários são os sinais clássicos. No entanto, um amplo espectro de
alterações clínicas e laboratoriais também faz parte do quadro. O instituto
nacional de saúde norte-americano definiu que o aumento de andrógenos e a
anovulação são duas características capazes de levar ao diagnóstico. É
importante, no entanto, que se descarte outras causas como tumores secretores
de andrógeno, doenças da glândula supra-renal e aumento da produção de
prolactina (hormônio produzido pela hipófise).
Os sintomas mais comumente queixados pelas mulheres são: irregularidades
menstruais, infertilidade, obesidade e sintomas relacionados
com aumento de androgênios – hirsutismo e acne. A maioria
das mulheres tem a primeira menstruação numa idade normal, mas iniciam com
ciclos irregulares que gradualmente se tornam mais irregulares, geralmente
levando a amenorréia.
Recentemente tem sido mostrado a associação da SOP à resistência periférica à
ação da insulina o que pode levar à intolerância à glicose e ao diabetes
mellitus tipo 2. Quais são as Possíveis
Complicações da SOP?
A SOP não tratada tem progressão até a menopausa, quando devido à falência
ovariana, cessa a produção de estrógenos e andrógenos. Estudos em andamento têm
relacionado a SOP com um maior risco de doenças cardiovasculares o que fica
reforçado devido às alterações de gorduras (colesterol total e frações e
triglicérides) corporais também presentes na SOP.
As outras complicações estão relacionadas com as alterações resultantes da
anovulação: infertilidade, irregularidades menstruais variando de amenorréia a
hemorragias uterinas, hirsutismo e acne. Mais importante ainda é a exposição do
endométrio (revestimento interno uterino) contínua ao estrogênio, sem a
presença da ação da progesterona contrabalançando-o, por encontra-se ausente
devido às alterações hipófise – ovarianas. Essa exposição contínua pode
propiciar o aparecimento de câncer de endométrio cujo risco é três vezes maior
em mulheres com SOP. Além disso, há estudos sugerindo que a anovulação crônica
durante a idade fértil, está relacionada com maior risco de câncer de mama após
a menopausa.
Uma nova forma de tratamento tem sido o uso de Metformina, uma droga que
aumenta a sensibilidade da insulina, utilizada no tratamento da diabetes
mellitus tipo 2. Estudos preliminares demonstraram um retorno à atividade
menstrual em 68% a 98% das mulheres com SOP que utilizaram-na. Não é o
tratamento padrão, mas pode ser uma possibilidade real futura.
Em fim, a importância da descoberta dessa desordem por uma mulher não tem como
ser mais enfatizada. O seu controle influi drasticamente em toda a saúde
feminina, desde suas raízes sexuais mais profundas, sua fisionomia e imagem
corpórea e também na prevenção de doenças sérias que possam vir a aparecer.
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