Comos
todos sabem, sempre que posso, entrevisto obstetras a fim de pesquisar um pouco
mais sobre a Insuficiência Cervical e sobre a circlagem.
O Dr. MARCELO LUÍS NOMURA
é médico assistente Doutor da área de obstetrícia do Departamento de
Tocoginecologia da Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP e é um dos maiores
estudiosos no Brasil a respeito desta anomalia uterina.
Vejam na íntegra as respostas dadas por ele no que diz respeito a Insuficiência
Istmo Cervical, bem como a co-relação das infecções pós circlagem:
Erivane
- Dr. Marcelo, alguns médicos dizem que a IIC tende a aumentar com o passar dos
anos devido o estresse da vida moderna. Para eles, este estresse geraria
contrações involuntárias no útero (que obviamente a mulher não sente). Com o
passar do tempo, a quantidade destas contrações involuntárias farão com que o
útero vá ficando flácido, o que as tornariam sérias candidatas a circlagem. O
senhor concorda?
Dr. Marcelo Nomura
- A tese tem um certo fundamento, mas não em relação a insuficiência
cervical, mas em relação a prematuridade como síndrome. O trabalho de parto
prematuro pode ter relação com estilo de vida, e é relacionado a atividade
física excessiva e stress psico-emocional. A insuficiência cervical
possivelmente é uma alteração intrínseca da estrutura do colo uterino,
congênita ou adquirida. Por definição, se há atividade uterina primária
originando a alteração cervical, não se fala mais em insuficiência, mas em
trabalho de parto prematuro.
Erivane
- Mesmo circladas os obstetras advertem que pode ocorrer o parto prematuro. Por
quê?
Dr. Marcelo Nomura
- Sabemos que a insuficiência cervical pode levar a parto prematuro por
romper a barreira que protege a cavidade uterina das bactérias e dos mediadores
inflamatórios vaginais.
Erivane
- Tenho notado em minha comunidade no Orkut "Cerclagem", que tem sido
crescente o número de mulheres às quais perdem os seus bebês mesmo circladas
devido a infecções (seja infecção urinária, vulvovaginite, entre outros).
Existe uma razão para esta ocorrência?
Dr. Marcelo Nomura
- Sobre as perdas, há uma tendência a se abordar da mulher com insuficiência
cervical de maneira muito simplista, e não se leva em conta a multicausalidade
da prematuridade. Ou seja, ela tem insuficiência cervical, mas juntamente pode
ter outros fatores de risco como as infecções (urinária, vaginal), atividade
física de risco, stress, má formação uterina, gemelaridade, etc. A abordagem
deve ser ampla, rastreando todos os potenciais contribuidores para a
prematuridade, e principalmente individualizada, pois as mulheres com
insuficiência cervical não são iguais.
Erivane
- Existem médicos que partem do princípio de que a cerclagem dupla diminui o
índice de infecções por deixar o colo do útero mais alto. Isto é verdade?
Dr. Marcelo Nomura-
Não há ensaios clínicos comprovando a superioridade de nenhuma técnica de
circlagem sobre a outra e isso recai mais sobre experiência e preferências
pessoais do que sobre evidências científicas. Ainda assim, em mulheres com
falhas de circlagem em gestações anteriores, a tendência é se utilizar outra
técnica, e a dupla circlagem pode ser benéfica.
Erivane
- Existe algum estudo para o avanço das atuais técnicas de circlagem uterina?
Dr. Marcelo Nomura
- Aqui no CAISM vou começar um estudo piloto com circlagem guiada por
ultrassom, ou seja, no momento da cirurgia, eu e o ultrassonografista
localizamos o local da sutura, posicionando-a o mais próximo possível do
orifício interno.
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